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Colunista - Educação Nutricional

A nutricionista Mônica Jácomo Mourão fala sobre um assunto de interesse de todos os pais: a alimentação dos alunos no período escolar. Confira.

QUANDO A CRIANÇA NÃO QUER COMER ...

Uma queixa muito comum nos consultórios de nutricionistas e pediatras por parte das mães é a de que o filho não come. Segundo especialistas as oscilações de apetite são normais, quando a criança é ativa e cresce normalmente.

Nos primeiros seis meses de vida, a criança tem um crescimento acelerado ganhando grande quantidade de tecido gorduroso, apresentando uma maior aceitação de alimentos. Essa aceitação começa a diminuir à partir dos seis meses. A partir de um ano até por volta dos 6 anos, a criança atravessa uma etapa de inapetência. . A princípio, o apetite realmente diminui porque, ao entrar no segundo ano de vida, o ritmo de crescimento da criança também diminui e, portanto a sua necessidade de calorias diária também. Ou seja, essa inapetência faz parte do funcionamento do organismo da criança.

As mães que estão acostumadas a verem seus filhos comerem toda a quantidade que lhes era oferecida, muitas vezes encaram esta fase com uma preocupação exagerada. A criança por sua vez, percebendo este “desespero da mãe”, pode também lançar mão disso para comandar a mãe ou simplesmente não querer fazer uma determinada refeição. Estes momentos então passam a ser bem difíceis para a mãe e filho.

Algumas atitudes também podem contribuir para essa inapetência: Muitas vezes a mãe oferece muita comida à criança, sem considerar o tamanho de seu estômago, e com certeza ela não agüenta comer tudo. O intervalo das refeições pode ser muito curto, irregular. Existe muito barulho e confusão durante a o momento da refeição. A criança se distrai, tirando o foco do ato de comer. ?Existem mães que trocam refeições por lanches ou guloseimas, de tão aflitas que ficam com o fato do filho não querer comer. A criança que não é nada boba entende esta dinâmica e usa a chantagem para conseguir o que quer. A comida tem que ser saborosa e o cardápio variado. Quem não gosta disso?

É importante saber que justamente nesta fase é que se consolidam os hábitos alimentares, sendo fundamental entrar nessa luta sabendo que não vai ser fácil. É necessário ter muita paciência e firmeza. O exemplo, a disciplina e o limite são fundamentais.

Veja algumas dicas:

- Determine os horários para as refeições e para os lanches intermediários, com intervalos de duas a três horas. Se a criança comer alguma coisa fora de hora, provavelmente na hora de almoçar ou jantar não terá apetite.

- Não troque a refeição principal (almoço e jantar) por outro alimento. Se a criança não quiser comer, espere um pouco (30 minutos a uma hora mais ou menos) e ofereça novamente a mesma comida. Se ainda assim ela não quiser comer, espere até que ela dê sinais de está com fome ou a próxima refeição.

- Evite oferecer líquidos durante as refeições principais. A capacidade gástrica da criança é limitada, portanto se ela ingerir líquidos durante a refeição, vai faltar espaço para a comida.

- Evite utilizar artifícios como ganhar algum prêmio se comer tudo, ou ameaçar colocar de castigo se ela não comer. A criança vai valorizar o prêmio e relacionar a comida com castigo.

- Seja firme sem precisar ser muito rígido com a criança, para não deixá-la angustiada, ansiosa ou mesmo com medo. Uma besteirinha fora do horário, de vez em quando, não vai atrapalhar, deixando mãe e filho mais relaxados, divertindo os dois.

- Coloque pouca comida no prato e criança quiser repetir, ofereça uma quantidade menor observando a aceitação da mesma.

- “Estratégias de ação” como aviãozinho, carrinho entrando na garagem, televisão ou mesmo procurar disfarçar os alimentos dura pouco tempo e a mãe vai ter que ser muito criativa para criar “novas estratégias de ação”.

A pessoa mais indicada para avaliar se a inapetência da criança e o estado geral da mesma é o pediatra. Excluindo algum fator orgânico que justifique esta inapetência, a origem deve ser comportamental. Portanto, é importante a mamãe rever algumas atitudes verificando se a preocupação não está muito exagerada. Amor de mãe é assim mesmo, doído até nestes momentos.

Nutricionista Mônica Jácomo Mourão
CRN 3582

mjmconsultorianutricional@yahoo.com.br

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