A população está mais velha, com um padrão de trabalho e lazer modificado, além de ter promovido profundas transformações na qualidade e quantidade dos alimentos ingeridos.
As explicações para essa transição no perfil de saúde da população têm sido procuradas em estudos cuja população de referência são os adultos, tendo uma representatividade bem menor aqueles que deslocam seu foco de atenção às crianças. Considerando-se que as alterações biológicas ocorrem mais rapidamente na infância e adolescência do que em qualquer outro período do ciclo de vida, é possível supor que esse momento biológico represente importante fonte de estudo na determinação de risco adicional, fundamental no estudo das doenças.
Diversos estudos epidemiológicos apontam para o crescimento na prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, doenças cardiovasculares e câncer, associadas ao sedentarismo e hábitos alimentares inadequados.
O corre-corre da vida moderna tem influenciado no atual estilo de vida da maioria das famílias. Mães e pais trabalham o dia todo, o cansaço ao chegar em que casa, a impossibilidade de acompanhar as refeições dos nossos filhos, a busca de algo prático de se preparar, tudo isso tem contribuído para uma alimentação que pode deixar a desejar, fazendo com que a escolha acabe caindo em alimentos ricos em gordura e açúcar e pobres em vitaminas e minerais. Somando-se a isso temos a influência da propaganda de alimentos pouco nutritivos, porém extremamente atrativos nos mais diversos meios de comunicação. O que fazer então?Seria excelente se tivéssemos uma varinha mágica que pudesse nos auxiliar, mas a verdade é que temos que renovar nossos votos de paciência, arregaçar a manga e organizar o meio de campo.
A pirâmide de alimentos é um guia que pode auxiliar. Ter em mente o que será feito nas principais refeições da semana (como almoço e jantar), organizar a compra do supermercado, a feira da semana, uma certa disciplina em relação aos horários das refeições e muita boa vontade, ajudam a melhorar o padrão alimentar da família. Melhorar o hábito alimentar consiste em um processo lento e gradativo, e não em um pacote pronto ou um kit. O principal ingrediente: a paciência, para que o momento das refeições não se transforme em um campo de batalha .
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
( Monteiro CA (org). Velhos e novos males da saúde no Brasil. A evolução do país e de suas doenças. 2ª ed. São Paulo: Hucitec/Nupens/USP; 2000, 43p).
Berenson GS. Cardiovascular risks factors in children. The early natural history of atherosclerosis and essential hypertension. USA: Oxford University Press, 1980.
Martinez TL, Nascimento HM, Moraes, CAA.Tratamento não-farmacológico das dislipidemias: o que os estudos ensinaram ? Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.2005;15(6):489-494.
Mônica Jácomo Mourão
CRN 3582
mjmconsultorianutricional@yahoo.com.br